Os dois modelos, que no mundo todo ainda estão em fase de teste, poderão reproduzir na TV digital móvel a polaridade que há, nos celulares, entre as tecnologias CDMA e GSM (criada na Europa).
Valerijonas Seivalos, diretor-geral da Qualcomm no Brasil, afirmou que o MediaFLO já foi apresentado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Carlos Bastos, diretor de multimídia da Nokia, disse que a fabricante finlandesa de celulares também já levou o DVB-H ao comitê criado pelo governo federal para discutir a TV digital.
Elifas Gurgel, presidente da Anatel, ressaltou que a questão da TV digital nos celulares ainda está distante da realidade brasileira. "O primeiro passo é como vamos construir a TV digital", afirmou ele, no congresso Telecom Americas, promovido pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), em Salvador.
Nos EUA e na Europa, o modelo que começa a ser testado prevê a licitação de faixas de freqüência adicionais para a transmissão de televisão digital por meio dos celulares - adquiridas pelas operadoras de telefonia ou por empresas interessadas em atuar como intermediárias entre as teles e as emissoras, como fez a Qualcomm. Os EUA destinaram a freqüência de 700 megahertz para essa finalidade. O DVB-H utiliza a faixa que vai de 470 MHz a 890 MHz.
Segundo Bastos, a Nokia pretende lançar comercialmente o DVB-H no próximo ano. A companhia tem feito testes em países como Espanha, Inglaterra e Austrália.
Por enquanto, o que existe no Brasil - ainda de forma muito incipiente - é a transmissão de TV analógica pelo celular.
O que está em discussão com a TV digital é um modelo em que as emissoras de televisão poderão veicular seu conteúdo diretamente e em tempo real nos aparelhos de celular, por meio de uma rede paralela à de telefonia.
Roberto Lima, presidente da Vivo, afirmou que o debate sobre o MediaFLO ainda está em estágio muito primário na operadora. "Ainda não sabemos que tipo de aplicação podemos oferecer."
O debate no Brasil ainda está atrasado. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, afirmou anteontem que a escolha do padrão digital para a TV brasileira convencional será feita até fevereiro e que as primeiras transmissões deverão ocorrer em meados de 2006.
Outra discussão no mercado brasileiro é a necessidade de regulamentação da transmissão do conteúdo de TV (analógica ou digital) pelas operadoras de telefonia - um debate que já aconteceu em outros países.
Em entrevista na noite de segunda-feira, Costa voltou a defender a tributação e a regulamentação desses serviços. "A telefonia de terceira geração (3G) é um serviço de valor adicionado ", justificou.
Valor Econômico - Empresas & Tecnologia - //05/10/2005
Talita Moreira De Salvador